Com aulas de idiomas, brasileiros e refugiados vivem intercâmbio cultural em São Paulo

O que seria uma aula comum de idiomas, com exercícios de gramática, leitura de textos e listas de novas palavras no vocabulário, se transforma em um rico intercâmbio cultural, com dança, culinária e literatura. Essa é uma experiência que brasileiros e pessoas em situação de refúgio têm vivenciado em São Paulo, em projetos que buscam integrar os novos moradores no país e ao mesmo tempo mostrar aos brasileiros particularidades de culturas tão diferentes.

“Já tivemos aulas de gastronomia, de dança, de literatura e de história. O clima é leve e superinteressante”, conta a tradutora Debora Sales, que há três meses estuda árabe pelo projeto Abraço Cultural, oferecido pelo Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado. “O projeto trabalha a inserção de pessoas vulneráveis na nossa cultura e sabemos que a língua interfere muito na adaptação deles. Ao mesmo tempo eu tenho oportunidade de aprender um idioma e conhecer uma cultura que me interessam há anos.”

O projeto oferece cursos de francês, inglês, espanhol e árabe ministrado por professores em situação de refúgio no Brasil, em especial de países africanos, árabes e latino-americanos. A iniciativa teve início em julho de 2015 e envolveu até agora 290 alunos, 50 voluntários e 28 professores. As aulas ocorrem na Biblioteca Centro de Pesquisa América do Sul Países Árabes (Bibliaspa), no centro da cidade.

“No projeto, eu ensino junto a cultura e língua árabe. As pessoas no Brasil conhecem pouco sobre nós. Em geral, só sabem que estamos passando por uma guerra, mas não sabem nada de antes dela. As aulas são o lugar perfeito para eu mostrar tudo o que temos de legal. Ao mesmo tempo, meus alunos me ensinam muito sobre cultura brasileira e assim me ajudam na adaptação”, conta o professor de inglês Ehab Alhennawi, que chegou do Brasil da síria há no início de 2014 na condição de refugiado.

O Abraço Cultural está com inscrições abertas para cursos intensivos de férias. As aulas serão entre 11 de janeiro e 5 de fevereiro. às segundas, quartas e quintas-feiras, totalizando 36 horas. Depois de muito estudo, professores e alunos participarão da festa Aquele Abraço Cultural, em 13 de fevereiro, que celebrará a cultura dos refugiados. Após o intensivo de férias, terão início os cursos regulares, de março a junho, com aulas duas vezes por semana. Pelo menos uma vez a cada 15 dias a aula deve ser sobre cultura do país do professor.

“É um curso de idioma em que os refugiados são professores de alunos brasileiros. O objetivo é também remunerar e empoderar os refugiados com uma nova forma de trabalho, que é a maior dificuldade deles quando chegam aqui. Queremos valorizar os talentos que eles têm e mostrar isso para as pessoas que têm interesse”, explica o idealizador do projeto, Daniel Assunção.

Do outro lado, quem acabou e chegar ao Brasil e precisa apender português também encontra alternativas na cidade. A Associação de Assistência a Refugiados no Brasil Oasis Solidário, localizada no bairro Pari, região central, organiza cursos de português com aulas todos os dias, além de entregar doações e auxiliar os recém-chegados com a emissão de documentos. Desde 2011, quando teve início o conflito na Síria, 690 refugiados do país foram cadastrados em São Paulo.

São oferecidos cursos de português nos níveis básico, intermediário e avançado, com no máximo 18 pessoas por turma. Pelo menos 100 alunos participam da iniciativa. As aulas ocorrem também na Mesquita Santo Amaro, na zona sul da cidade. Para participar, basta procurar a entidade e se inscrever, a qualquer momento.

“Aqui no Brasil eu posso ser quem sou, sem correr o risco de ser perseguida ou discriminada por isso. Eu não consegui entrar na Europa nem no Líbano porque sou síria”, conta a auxiliar de escritório síria Razan Suliman, que chegou no final de 2014 ao Brasil na condição de refugiada, acompanhada do filho Adam, de 1 ano. Com um português já muito bom, ela estuda participa das aulas no nível avançado. “Aprender a língua tem me ajudado muito a me inserir na cultura brasileira.”

Serviços:

Abraço Cultural Intensivo de Férias 2016
Curso de Cultura e Idiomas com Professores Refugiados

De 11 de janeiro a 5 de fevereiro de 2016 (36 horas)
Festa Aquele Abraço Cultural 2ª edição: 13 de fevereiro de 2016 Inscrições: www.abracocultural.com.br
Av. São João, 313, 11º andar – Centro (segunda a sexta, a partir das 11h)
Telefones: (11) 3225-0439/ (11) 94744-2879

Associação OASIS Solidário
Rua Itapiraçaba, 409 – Brás
oasis-solidario.com.br
Telefone: (11) 2692-5900
E-mail: contato@oasis-solidario.com.br

* Artigo publicado originalmente na RBA, por Sarah Fernandes

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